A sua memória é óptima


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Por Valter Alcoforado Barreira

Sabe como fixar os nomes das pessoas que conhece nas actividades de ‘networking’ (almoços-debate, campo de golfe seminários, conferências, eventos sociais…)? E como o seu pode ser memorizável para as outras pessoas?
Por Valter Alcoforado Barreira

Tem dificuldades em fixar nomes? E nota que os outros também têm dificuldades em fixar o seu? Considera importante melhorar a sua competência nestes pontos? Se respondeu sim, continue a ler e aprenda uma competência muitíssimo útil em variadíssimas situações sociais.
Um dos problemas de não nos lembrarmos do nome correcto dos outros pode conduzir à percepção de estarmos a ser ofensivos e prejudica a componente de agradabilidade nas relações.
Outro problema de se esquecerem do nosso nome é o de não se lembrarem mais de nós, não nos mencionarem numa conversa ou não conseguirem identificar-nos perante os inúmeros cartões-de-visita recolhidos. Se alguém não se trata pelo nome certo (e eu, infelizmente, já cometi esse erro no passado), isso não contribui para uma boa conversa, e sabemos que boas conversas podem conduzir a boas relações e estas podem culminar em bons negócios.

A solução
Como na maior parte das competências de ‘networking’ que facilito aos profissionais, tento ter uma abordagem que inclua três componentes: uma estratégia, a mentalidade ou atitude certas e os conjuntos de competências e técnicas necessárias.
- Estratégia – Tratar as pessoas pelos seus nomes é fundamental na construção de relações. Os métodos tradicionais geram péssimos resultados e por isso devemos estar receptivos a aprender e utilizar métodos diferentes dos comuns.
- Mentalidade – Você não é o único a ter esta dificuldade (de facto, 95% das pessoas presentes nos meus ‘workshops’, em ‘key-notes’ ou em aulas, respondem que não são boas a fixar nomes). Reconheça que a sua memória é boa, mas talvez a forma como a usa não seja a melhor (depois de se lamentarem por não se conseguirem lembrar de nomes, as pessoas logo generalizam para «tenho uma fraca memória»). Saiba que o tempo que dedicamos a este importante ritual não é proporcional à importância do mesmo. Os profissionais ficam admirados quando, durante os meus ‘workshops’, lhes peço para observarem e contarem quanto tempo demora uma apresentação entre duas pessoas com o método habitual: cerca de seis segundos. É impossível aprender o nome de alguém e ensinar o seu em seis segundos. Por isso, a primeira coisa a fazer é demorar o processo e investir nele um pouco mais de tempo, sempre que possível (já veremos como). Não sabote os seus esforços com pensamentos como «eu nunca consigo fixar nomes.» Pense antes assim: «Hoje vou aprender o nome de cinco pessoas e vou memorizar o nome de uma delas até a apresentar a alguém.»

Competências
Vejamos o conjunto de competências para aprender o nome de alguém…
- Repita o nome que acabou de ouvir (António Oliveira) – Diga «Olá, António, muito gosto em conhecê-lo!»
- Pergunte ou comente algo sobre o nome – «António é um nome de que gosto muito, de tal forma que o escolhi para o meu filho.» Existem mil outras possibilidades, basta ser criativo. A grafia do nome é forte possibilidade de exploração: «Cátia escreve-se com C ou K?» Sempre que utiliza a grafia cria uma imagem do nome na sua mente. Como a grande maioria das pessoas aprende visualmente, significa que aprende melhor quando visualiza algo. Se o interlocutor estiver a usar um crachá com o nome, ou se lhe tiver dado um cartão-de-visita, use-os também para este efeito de aprendizagem visual.
- Pergunte pelo apelido separadamente – «Qual o seu apelido?» Assim, ouvirá o apelido de forma nítida e não «fundido» com o nome.
E agora as competências para ensinar o seu nome…
- Repita o seu primeiro nome – «Valter. Valter Barreira.»
- Separe os nomes – Diga os nomes de forma nítida e distinta, separando o primeiro e último nome por uma fracção de segundo. Não «cole» os dois nomes, pois por vezes um deles torna-se imperceptível.
- Dê uma dica ou mnemónica – «Valter com V.» Para contactos internacionais, costumo dizer: «É como Walter, mas com um V”. Se estiver a usar um crachá ou se entregar o meu cartão-de-visita, uso-os para mostrar o V.
Vejamos ainda formas complementares de aprender nomes…
- Dê significado ao nome – Imagine um qualquer significado para o nome (ou parte dele), de forma a poder atribuir-lhe uma imagem. Usando o exemplo do António Oliveira, posso imaginar o meu filho «António» a brincar num parque, no Verão, à sombra de uma «oliveira».
- Seguidamente, associe essa imagem a uma característica mais destacada da pessoa (sim, todos temos alguma) – Por exemplo, neste caso o meu amigo é bastante moreno (além disso, como golfista o seu «bronzeado» está quase sempre acentuado), pelo que associo esse mesmo bronzeado ao Verão (altura do ano em que o meu filho «António» estava a brincar na sombra da «oliveira»).

***
Aprender o nome de alguém e ensinar o seu é o melhor início para uma excelente relação. Por isso, abandone o ritual habitual dos seis segundos e comece a praticar este novo método.

PS: agradeço ao meu amigo e excelente profissional António Oliveira a permissão para usar o seu nome como exemplo, bem como ao meu filho António por mo ter emprestado agora, quase quatro anos depois de eu lho ter dado.

Nota: artigo publicado no portal «HUMANet» (www.human.pt), em Setembro de 2012; Valter Alcoforado Barreira é ‘executive director’ da KnowingCounts; vab@knowingcounts.net)

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