Novas Competências Para Sair da Crise


Desenvolvimento de Carreira

SAPO Emprego

Por Rosa Braz

Os fatores que afetam profundamente o emprego são, entre outros, a globalização da economia com preponderância do capital financeiro, a expansão e disseminação das tecnologias de informação (TI) e a internacionalização do mercado de trabalho. Complementarmente, refere-se a preponderância da política económica neoliberal, a reestruturação das empresas na lógica da racionalização flexível e o desequilíbrio das forças no mercado de trabalho, devido à pressão sobre as empresas para reduzirem os custos do trabalho face à concorrência, desencadeada por mercados cada vez mais globalizados.
Com preocupação perante o número crescente de desempregados na Europa, o comissário europeu do Emprego e dos Assuntos Sociais, László Andor, entende que os estados membros não podem baixar os braços perante a crise e defende o investimento público em áreas específicas, como forma de combater a tendência negativa das estatísticas no mercado de trabalho.
«Para rever a inadequação de competências os países têm de investir mais eficientemente em educação e formação. Gastar melhor em políticas para atividade do mercado de trabalho e apoiar a criação de trabalhos altamente qualificados para os sectores com potencial de crescimento como a economia verde, as tecnologias e o sector da saúde», defendeu László Andor.
Partilhamos que o investimento na educação, na formação e na qualificação continua a ser e será fundamental, independentemente das crises e dos ciclos económicos. O conceito de empregabilidade está associado à oportunidade e à capacidade dos indivíduos de adquirirem habilitações, conhecimentos e competências. As pessoas com habilitações literárias mais baixas estão mais suscetíveis às fragilidades no mercado laboral e às condições de trabalho precárias. A probabilidade de o atual cenário de imprevisibilidade laboral se manter na Europa e em Portugal é elevada. Esperam-nos cada vez mais mudanças, daí que a melhor forma de lidar com o futuro seja investir no conhecimento e ampliar o portfólio de competências individuais.
Desta forma, as transformações tornam imperativo que não só as práticas de gestão organizacional sejam repensadas mas também as formas de trabalho e emprego. Tendo em vista este contexto, a gestão por competências ganha notoriedade e impõe enormes desafios aos gestores e, sobretudo, aos trabalhadores que terão que ser capazes de se adaptarem a ambientes conturbados na busca de constantes resultados. Os ingredientes do sucesso das empresas e dos seus profissionais passam por aprender, comunicar, cooperar, inventar, imaginar, desenvolver o espírito e as práticas empreendedoras, converter a criatividade em inovação e em criação de valor.
A dimensão estratégica da formação decorre precisamente do seu alinhamento com as iniciativas de mudança determinadas pelos objetivos do desempenho organizacional. Esse papel estratégico da formação emerge de diversos fatores que deveriam ser considerados aquando da decisão sobre investir ou não em formação profissional e devem constituir a principal garantia de que as outras mudanças a realizar na organização alcançarão o nível de eficácia pretendido.
A gestão do desenvolvimento profissional constitui um desafio permanente nos tempos atuais, porque o conhecimento e a tecnologia evoluem muito rapidamente, porque o saber e as competências se tornam facilmente obsoletos, porque as mudanças organizacionais se multiplicam, porque os novos desafios são imensos.
A gestão de competência é cada vez mais um percurso e uma estratégia das empresa aliada a estratégias individuais dos seus colaboradores, as quais devem ter subjacentes o seguinte: comunicação, criatividade, inovação, confiança, resistência ao ‘stress’, resiliência, automotivação e satisfação com o trabalho, autonomia, autoeficácia e ‘empowerment’. Para além dos conhecimentos técnicos. Desenvolver estas competências é fundamental no processo de construção de um profissional bem sucedido.
São os colaboradores de uma empresa os maiores responsáveis pelo desenvolvimento de competências organizacionais. Por este facto, é necessário olhar para o presente com uma atitude positiva, o que obviamente não significa ignorar os problemas mas sim olhá-los com a esperança, a confiança e a determinação necessárias para ultrapassar as dificuldades.

Rosa Braz é gestora de formação do Bureau Veritas; rosa.braz@pt.bureauveritas.com

Nota: artigo publicado na edição 51 da revista «human» (março de 2013)

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