Simon & Garfunkel, Ginger Rogers e Fred Astaire são
nomes que geralmente usamos em conjunto. Os bons resultados podem também ser potenciados
a nível empresarial com a formação parelhas. Haverá desvantagens em ter dois
profissionais que juntos sejam geniais? Parece-me interessante focar a atenção
deste artigo em duplas profissionais.
Façamos um exercício. Consegue identificar na sua empresa dois
profissionais que juntos valham mais do que apenas a sua soma individual? Por
outras palavras, profissionais que, com maior ou menor tempo de convivência se
complementem, que juntos sejam mais rápidos, que se motivem mutuamente, que se
disciplinem e que até compitam saudavelmente entre eles?
As duplas podem ser
formadas de forma mais ou menos intencional nas empresas. Acreditamos que, de
forma crescente, exista uma maior consciencialização para tal já que é dada
cada vez maior importância ao fit entre
o candidato escolhido e a sua chefia directa ou mesmo à equipa onde irá estar
inserido.
No sector da construção uma obra é encarada como uma empresa
com contas próprias com a única diferença de ser uma empresa com um fim
previsto. Assim, uma boa dupla - geralmente o encarregado / directora obra -
por si só pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso da mesma.
Assim, o reconhecimento por parte das empresas destas duplas
deve ser feito tendo em vista a retenção de talento já que, com frequência,
assim que ocorre a saída de um dos elementos o outro acompanha-o na
desvinculação. Na Construção assistimos com muita frequência ao desenvolvimento
de carreiras paralelas, de confiança profissional e pessoal, entre o Director
de Obra e o Encarregado, em que estes transitam de empresa para empresa unidos
pela sua relação profissional.
Porque a mudança profissional também acontece mais vezes, é
cada vez mais frequente para nós assitir à entrada conjunta de profissionais
que já trabalharam juntos em novas empresas. Ajuda-os uma mais rapida
integração, com reflexos igualmente positivos no aligeirar do sentimento de risco
na mudança profissional, alavancando rapidamente os resultados esperados.
A manutenção destas duplas é importante em termos
motivacionais já que por vezes a sua simples existência é geradora para estes de
mais satisfação e sentimento de pertença à empresa do que propriamente políticas
de RH desta, a posição destes na empresa, remuneração, ou perspectivas de
evolução futuras.
Atenção ainda para o lado mais perverso destas duplas. É
sabido que por vezes as mesmas podem tornar-se demasiado importantes, isto é,
maiores ou melhores que a própria estrutura pelo que é forçoso estar atento a
sinais de algum descontentamento ou empreendedorismo já que estas podem,
confiantes com o sentimento de dupla, emancipar-se através da criação da sua própria empresa.
Especial cuidado igualmente para a eventualidade de qualquer
empregador pretender dispensar a dupla - é aconselhável uma gestão simultânea e
rápida dos dois processos. Quando apenas um dos dois trabalhadores decide sair
por livre vontade aconselhamos igualmente uma atenção especial à passagem de
informação para o exterior.
A aposta em duplas rotinadas traduz-se na obtenção de
resultados imediatos para as empresas mas pode, a médio-longo prazo, ser
nefasta já que geralmente o sentimento de grupo destes profissionais é maior
que o sentimento de pertença às empresas.
Nuno Veríssimo
Senior Consultant Msearch