As Grandes, Médias e Pequenas Empresas na Crise


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Uma fábula dos tempos modernos

Com origem no latim e no grego Fari e Phaó, (falar + contar algo), uma fábula é uma narração breve, de natureza simbólica, cujos personagens por via de regra são animais que pensam, agem e sentem como os seres humanos. Segundo La Fontaine (século XVII) estas fábulas que recuperamos facilmente se regressarmos à nossa infância guardam ainda uma moralidade.

 

Nos dias de hoje rapidamente percebemos a analogia às Grandes Empresas (GE) e às Pequenas Médias Empresas (PME) com a lebre e a tartaruga de La Fontaine.

 

Num contexto de total incerteza e imprevisibilidade face ao futuro, em que somos inundados diariamente por nuvens negras de pessimismo, como dados desastrosos relativos ao nosso crescimento económico nos próximos anos, reforçados com um agora presente Fundo Monetário Internacional (FMI) a manter uma previsão de contracção da economia portuguesa de 1,5% este ano e 0,5% em 2012, o que devemos esperar para as nossas empresas?

 

Será correcto mantermo-nos fiéis à velha máxima de que "As economias sólidas apoiam-se em grandes empresas e não nas PME?” Que nas fases de crescimento económico, as PME criam emprego, enquanto nas fases de estagnação, destroem emprego?

 

Se pensarmos nas PME como organizações complementares no preenchimento da malha industrial, ou transitórias no seu processo de crescimento para GE, estando assim numa fase de plenas capacidades e recursos para poderem ser competitivas no mercado global, poderemos constatar que neste contexto de crise global, enquanto as economias de todo o mundo procuram soluções para recuperarem, as PME enfrentam um conjunto de desafios e oportunidades, sendo o grupo de empresas que mais optimista deverá estar face a uma potencial recuperação económica.

 

Recuperação esta que deverá chegar mais cedo a este grupo de empresas, as PME, que obtém parte do volume de negócios graças à presença no estrangeiro.

 

Na linha da frente desta internacionalização está maioritariamente o sector industrial que visa assim minimizar a dependência do mercado interno, apostando em factores de diferenciação e na alta qualidade dos seus produtos, atingindo o reconhecimento máximo nos seus destinos da exportação, como muitas vezes constatamos.

 

Não nos podemos esquecer, que na Europa as PME representam mais de 99% das empresas e empregam mais de 90 milhões de pessoas e que Portugal vive também desta estrutura, sendo um país maioritariamente composto por PME, empresas que comprovadamente têm uma maior flexibilidade, uma maior capacidade de adaptação à mudança, e que sendo compostas por capitais nacionais não são regidas pelas duras directrizes internacionais. Não será por isso correcto afirmar que as PME são por isso, e actualmente, o motor da nossa economia?!?

 

Voltando à fábula da lebre e da Tartaruga, o tarde acordar da lebre e o excesso de confiança face ao seu adversário na corrida, pode ser associado às grandes empresas, reflectindo a falta de agilidade destas para se tornarem neste contexto actual criativas, e capazes de desenvolver soluções alternativas que as levem a fugir dos seus próprios paradigmas há muito instituídos.

 

A moralidade da fábula e a vitória final da tartaruga (PME) confirma assim a teoria de Darwin, assente na sobrevivência dos mais aptos e não necessariamente dos mais fortes, reforçando que "Quem segue devagar e com constância estará sempre à frente".

 

Resta-nos aspirar pelo final da história, em que se à tartaruga e às PME todos se juntam para comemorar a vitória, que será sem dúvida o que todos aspiramos, a recuperação rápida da economia portuguesa.

 

Mafalda Vasquez, 

Associate Director Msearch

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