O cenário é recorrente: entrou para a empresa onde trabalha com uma função, mas, entretanto, continuou os seus estudos e, neste momento as suas qualificações estão completamente desajustadas em relação à atividade que desempenha. Como convencer a empresa de que poderia estar a desempenhar uma atividade completamente diferente? Damos-lhe algumas dicas sobre como abordar esta questão e fazer com que esta transição seja possível...

# O ideal é informar a empresa no início da sua formação ou, pelo menos, durante o decorrer da mesma. Assim, terá desde logo a oportunidade de manifestar o seu interesse em manter o elo de ligação com a empresa, enquanto procura evoluir profissionalmente. Este posicionamento pode ser decisivo para que a empresa perceba o seu compromisso e interesse em crescer dentro da própria estrutura, o que pode facilitar o processo de transição para novas funções ou áreas de atuação.

# Se não informou anteriormente a empresa, não hesite em dar o primeiro passo. Quando estiver a terminar o curso informe o departamento de Recursos Humanos e mostre-se disponível para mudar de área. De outra forma, a empresa não poderá “adivinhar” que tem novas qualificações nem as suas ambições profissionais. Ser transparente e proativo(a) pode ser crucial para que a empresa perceba o seu potencial e esteja disposta a considerar a sua transição para uma nova função.

# Opte por uma abordagem pessoal, uma vez que tem um contacto facilitado com os responsáveis pela seleção e recrutamento da empresa. Com persistência, mas sem demasiada insistência, aproveite a proximidade para se mostrar disponível para uma nova oportunidade de carreira. Uma comunicação clara e bem doseada pode ser a chave para que os responsáveis percebam o seu interesse em evoluir dentro da organização e em explorar novas funções.

# Uma das principais dificuldades neste processo de transição pode ser a reação dos “futuros” colegas. Alguns poderão oferecer alguma resistência, encarando com estranheza o facto de alguém que inicialmente conheceram a desempenhar uma função numa determinada área, passe a trabalhar noutra. Esta mudança de papel pode gerar desconforto, tanto pela surpresa quanto pelo receio de alterações nas dinâmicas de equipa.

# O facto de já fazer parte da empresa representa uma grande vantagem nesta transição, uma vez que o seu perfil já é “familiar”. Além disso, o esforço demonstrado ao conciliar os estudos com as suas responsabilidades profissionais é um claro reflexo da sua ambição, determinação e capacidade de gestão. Esta dedicação e o compromisso com o seu desenvolvimento pessoal e profissional podem ser fatores decisivos para que a transição para uma nova função seja bem recebida e valorizada.

# Avalie os seus próprios receios de forma honesta. Será que a transição vai ser realmente gratificante? Será capaz de adaptar-se às novas funções? Existe a possibilidade de vir a sentir saudades da sua função anterior? E, caso a transição não corra como esperado, como lidaria com a possibilidade de ter de retornar à sua antiga posição? Refletir sobre estas questões ajudará a perceber se está preparado para o desafio e a encarar a mudança com maior confiança e clareza.

# Não desanime se a transição não acontecer de forma imediata. Nem sempre há oportunidades disponíveis no momento certo, e as mudanças podem levar algum tempo a acontecer. O importante é manter o foco nos seus objetivos e continuar a investir no seu desenvolvimento. Aproveite as experiências e desafios da função atual como uma forma de adquirir mais conhecimento e de se posicionar de maneira ainda mais vantajosa quando surgir a oportunidade certa. A paciência e a persistência são fundamentais neste processo de evolução profissional.

# Se, apesar dos seus esforços e paciência, perceber que não há espaço para evolução na empresa, talvez seja o momento de considerar 'novos voos”. Por vezes, a melhor forma de alcançar o crescimento profissional é mesmo explorar novas oportunidades fora da organização onde se encontra. Se decidir seguir por esse caminho e surgir a oportunidade certa, lembre-se de 'deixar a porta aberta', mantendo uma postura profissional até ao último momento, garantindo que a sua saída seja feita de forma cordial. Nunca se sabe quando as circunstâncias mudam, e, no futuro, podem surgir novas oportunidades para regressar ou colaborar de outra forma.